O inverno começou oficialmente no último dia 20 de junho e já traz características conhecidas pelos moradores de Rio Verde e de grande parte do Centro-Oeste brasileiro: madrugadas frias, tardes quentes, baixa umidade do ar e um longo período de estiagem. O período também acende o alerta para os impactos das mudanças climáticas, tema que tem sido cada vez mais debatido por especialistas.
Segundo o Professor Gilmar Oliveira Santos, da Universidade de Rio Verde, o inverno na região é marcado por uma grande amplitude térmica, ou seja, uma diferença vasta entre as temperaturas registradas ao amanhecer e durante a tarde.
“Uma das principais características do inverno em nossa região são as madrugadas frias e as tardes quentes. Em um mesmo dia, podemos ter variações de até 20 graus na temperatura. Isso acontece porque estamos em um período de pouca ou nenhuma chuva, o que reduz a umidade do ar e favorece o aumento das temperaturas durante a tarde”, explica.
A redução das chuvas também é característica da estação. De acordo com o Professor, Rio Verde já acumulava cerca de 75 dias sem precipitações no início oficial do inverno, cenário que pode se prolongar pelos próximos meses.
“A ausência de chuva é uma característica típica do inverno no Centro-Oeste. Com o passar dos dias, a umidade relativa do ar tende a diminuir ainda mais, podendo ficar abaixo de 20% e, em situações extremas, atingir níveis próximos de 10% no final da estação, especialmente em setembro”, destaca.
Além das condições típicas da estação, o cenário climático deste ano também é influenciado pela atuação do fenômeno El Niño. Segundo o pesquisador, o fenômeno altera a distribuição das chuvas no Brasil, reduzindo ainda mais a disponibilidade de umidade para a região Centro-Oeste.
“O El Niño reduz as chuvas nas regiões Norte e Nordeste, que são importantes fornecedoras de umidade para o Centro-Oeste. Com menos umidade chegando até nós, a tendência é de uma redução ainda maior das chuvas e um prolongamento do período seco”, afirma.
O especialista alerta que os efeitos das mudanças climáticas têm tornado esses fenômenos cada vez mais intensos. Dados observados em Rio Verde apontam aumento das temperaturas médias, redução da umidade relativa do ar e maior ocorrência de eventos extremos.
“Quando falamos em mudanças climáticas, estamos falando justamente do aumento desses extremos. Os recordes de temperatura, os menores índices de umidade, as rajadas de vento mais intensas e os maiores volumes de chuva concentrados ocorreram nos últimos anos. Isso mostra que os impactos já estão acontecendo e são perceptíveis no nosso dia a dia”, ressalta.
A preocupação também se estende ao risco de queimadas, que costuma aumentar durante períodos prolongados de seca. O cenário previsto para este ano apresenta semelhanças com o registrado em 2023, quando a região enfrentou uma das estiagens mais severas dos últimos tempos.
Recentemente, o Professor Gilmar participou de uma reportagem exibida pelo programa Globo Rural, contribuindo para o debate nacional sobre os impactos das alterações climáticas no campo e os desafios enfrentados pelo setor agropecuário diante da irregularidade das chuvas.
Segundo o Professor, compreender os fenômenos climáticos e acompanhar suas transformações é fundamental para que o setor produtivo se prepare para os desafios, especialmente em uma região cuja economia e qualidade de vida estão diretamente ligadas às condições do clima.
Equipe ASCOM
Jornalista Ana Júlia Sales
Arte: Marcos Santos